30 de dezembro de 2008

em 2009...


... eu quero pisar descalça na areia toda manhã de domingo ouvindo os pássaros cantarem bem baixinho no meu ouvido, eu quero apostar corrida debaixo da chuva, eu quero ter coragem suficiente pra encarar o amor, eu quero mergulhar no mar sozinha numa liberdade de quem sabe nadar, eu quero ser o apoio de alguém numa trilha difícil, quero conhecer várias trilhas, quero encontrar por acaso quem não vejo quando marco, eu quero ver todos os filmes que tive preguiça, e ler todos os livros que parei na metade. eu quero usar minha arte pra fazer as pessoas pensarem, rirem, chorarem... eu quero aprender a falar inglês, eu quero escrever um livro, eu quero ver meus amigos gargalharem, quero encontrar menos lágrimas pelo caminho, eu quero ver pessoas jogando lixo no lixo, eu quero escrever (mais) uma música, eu quero gritar quando der vontade, eu quero sorte, eu quero estar cercada só de quem me importa, eu quero nascer com o sol, eu quero abraçar bem forte até explodir, eu quero explodir de saúde, eu quero ver pessoas dizendo SIM, quero ouvir risadas de bebês, quero ter um bebê!
eu quero dançar fora do ritmo, eu quero sapatear até acabar o cd, eu quero um par, eu quero um ímpar! eu quero fotografar a natureza, as pessoas, o movimento. eu quero ver todas as sacolas de surpermercados de material reciclável, eu quero fazer a minha parte, eu quero ver você fazer a sua!

eu quero luz, eu quero paz, eu quero continuar ...

... feliz (em) 2009!

(Lara Gay)


24 de dezembro de 2008

estou aprendendo...


... a conviver comigo!
nunca pensei que fosse tão difícil a convivência diária comigo mesma.
de repente parei pra prestar atenção em mim e percebi a quantidade de detalhes que eu tenho e nunca reparei, e cá entre nós, tenho tantas coisas estranhas que chego a conclusão que não me conheço.
tenho me observado. e é um tanto quanto interessante observar a si mesmo. a gente passa a ver com outros olhos o que nos incomoda.
como num transtorno obsessivo compulsivo, só consigo levantar da cama com o pé direito! ... talvez seja uma forma inconsciente de começar bem o dia.
minha risada é aguda, como se fosse um berro que vai diminuindo com o ar... de repente comecei a gostar dela! começou a me soar como o sino da igreja dos capuchinhos, onde cresci ouvindo as badaladas das seis da manhã, meio dia e seis da tarde. uma risada quase bíblica.
sabe extremos? sabe ou você ama ou você odeia? pois é... bem leonina, não? bem eu, sim!
achar o meio termo é importante, mas às vezes é tão bom poder pular no mar de vestido sem saber nadar segurando a mão de alguém, ou então ficar sentada na beira da calçada vendo as ondas bem de longe dançando... iluminadas pela lua cheia.
se for pra andar de bicicleta que seja pra pegar o aterro, passar por botafogo, copacabana, ipanema e dar a volta na lagoa. pra quê se contentar com a esquina quando se tem uma orla inteira numa reta?
gritar??? bem alto! e durante o túnel inteiro com a janela aberta!
estou aprendendo a conviver comigo, e está sendo tão agradável a minha companhia.
eu descobri que não tenho um gosto certo, e não sou obrigada a ter. agora, quando me perguntam qual é o meu tipo, eu respondo: me apaixono pela alma das pessoas!
e é tão bonito me surpreender comigo mesma a cada passo que eu dou.
é tão agradável contar os passos do corredor até o elevador sem me sentir uma louca.
é tão agradável dançar feito louca no meio da festa como se ninguém tivesse olhando.
um vício? fotos!
uma terapia talvez...
mas nos clicks eu descubro um pouco mais de mim, e me agrada tanto ver a flor desabrochada em foco ao lado de um broto. é interessante observar meu cachorro durante 15 minutos com a câmera na mão pra em um segundo registrar ele olhando pra máquina... eu descobri através da fotografia que que eu posso ser tão simples quanto o nascer do sol da minha janela.
convivendo comigo comecei a aceitar que não sou forte o suficiente pra carregar as compras do mercado sozinha pra casa, mas que posso ser forte o suficiente pra ver o amor da minha vida passar na minha frente ao lado de outra pessoa.
estou aprendendo a conviver comigo, com essa necessidade de expressão que tenho, com essa necessidade de ser amada, com essa necessidade de ver o mar, com essa necessidade de ser artista, com essa necessidade de ser humano.
estou aprendendo a conviver comigo, o que facilita meu convívio com os outros!
estou aprendendo tanto que já até acho graça quando caio na escada do metrô.
... agora eu rio de mim.

(Lara Gay)

19 de dezembro de 2008

a flor do sítio


" (...) e das plantas vinha um cheiro novo, de alguma coisa que se estava construindo e que só o futuro veria. "

(clarice lispector)

*foto tirada por mim

14 de dezembro de 2008

"só deixo meu coração ...

... na mão de quem pode fazer da minha alma suporte pra uma vida insinuante. (...) eu tô pra tudo nesse mundo, então só vou deixar meu coração, a alma do meu corpo, na mão de quem pode e absorve todo céu, qualquer inferno, inspiração de mutação, da vagabunda intenção de se jogar na dança absoluta da matança do que é tédio, conformismo, aceitação; (...) porque não quero teu ciúme que é o cúmulo, ciúme é acúmulo de dúvida, incerteza de si mesmo projetado assim, jogado como lama anti-erótica na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa, e eu não tô à toa, eu sou muito boa, eu sou muito boa pra vida!! eu sou a vida oferecida como dança e não quero te dar gelo. vê se aprende, se desprende, vem pra mim que sou esfinge do amor te sussurrando. decifra-me! só deixo minha alma, só deixo o coração na mão de quem pode. só deixo minha alma, só deixo meu coração na mão de quem ama solto. eu vou dizendo que só deixo minha alma, só deixo meu coração na mão de quem pode fazer dele erótico suporte pra tudo que é ótimo fator vital"

(kátia b)

13 de dezembro de 2008

não entendo!


"não entendo. isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. entender é sempre limitado. mas não entender pode não ter fronteiras. sinto que sou muito mais completa quando não entendo. não entender, do modo como falo, é um dom. não entender, mas não como um simples de espírito.
o bom é ser inteligente e não entender. é uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. é um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

(clarice lispector)