7 de março de 2012

No seu tempo.

Quarta-feira.
Noite.
Me destruo ao som do rock.
Ou jazz?
Achando que sou outra, se não eu, a que nunca fui.
Querendo... ser.
Você.
Não a outra, como de costume.
Em algum lugar distante. Que não sei.
Que não sou.
Vou sendo de alguém que não sabe quem é.
Mas eu sei.
Entende sua confusão?
Foi assim o tempo todo.
Agora passou.
Passei?
O jazz saiu da minha vitrola.
Alguma coisa ficou.
Fiquei.
Fiquei?
Em algum lugar que já não sei.
Aonde você me guardou?
Por tanto tempo me guardei...
... pra você.
O tempo passou, e eu cansei.
Também quero passar...

(Lara Gay)

15 de fevereiro de 2012

És tu, menina travessa

Julga-te, quem não te conhece, pela espontaneidade exagerada
Tu és isso, menina travessa, o que desperta o sorriso no canto da lágrima
Surges do avesso consertando erros sem saber
Sem noção de ser tão anjo vens tropeçando em tuas asas
Desengonçada, barulhenta e encantadora
Caída então aos meus pés, te recrio com mais defeitos
- O que te torna cada vez mais perfeita para mim -
Transformando-te em líder dos momentos que não vivi, vasculho coincidências pra comprovar tanta sintonia
Não encontro porquês!
Abandono tudo então.
E a insônia aumenta em meu sofá de risadas... tão tuas.
As ouço pra dormir em paz
Embalada em teu som meio rouco e agudo. Meio elétrico e choroso. Meio metade e completo.
Encontro-me em teu colo, em desespero, secando restos de carência no teu casaco preto.
Cuidou de mim. Fez-me amada. Sorri sem motivo.
Isso és tu, menina travessa, o que faltava na minha inconstância.

(Lara Gay)

25 de janeiro de 2012

...

Depois de você, não tenho pressa em amar. Me dar num canto qualquer.
Vestígios de mulher. Incompleta a minha forma de bar em bar. Passando no seu rosto em prantos. Roubando encantos. Pra pagar a alegria emprestada na próxima rodada.

(Lara Gay)

14 de janeiro de 2012

Desde que você se foi.

Desde que você se foi sinto falta de ser sorriso
Do seu sorriso sendo meu
Sendo eu
Encho a cara de solidão na esperança de te achar em tantos copos
Encho a casa de companhias na esperança de te perder em tantos corpos
Desde que você se foi sinto a ausência da pulsação
Um conjunto de nada me mantendo em pé
Uma tentativa fracassada de saber o que é
Desde que você se foi não derramei uma lágrima
Não liguei pra você
Não chorei de prazer
Sou bicho solto em cada rua
Engolindo sapos e choros ao sonhar com sua voz
Negando pra mim mesma que não te quero de qualquer jeito
De qualquer jeito é tendo você que me sossego de mim mesma
Desde que você se foi o castelo desmoronou
O azul desbotou
O cachorro se calou
Tomei salivas de café sem motivo pra dormir
Selecionei mais piadas pra um dia você rir
Desde que você se foi a saudade me acompanha
E me carrega num cansaço de te querer cada dia mais. Cada dia mais. E mais...

(Lara Gay)

25 de dezembro de 2011

Aos 27 anos.

Aos 27 anos ainda sinto a falta do cafuné na hora de dormir, de jogar peteca aos domingos no parque e de andar de bicicleta com você me guiando.
Tenho uma criança entalada na garganta que bate o pé e não chora (mais)!
Constantemente ela me sacode alertando a falta que você faz, grita pelo seu nome sem retorno e acorda aos prantos depois de um pesadelo às 3 da manhã.
Minha menina sente falta do colo do pai mesmo crescida. Sente ciúmes e sente medo. Sente muito.
Sento na beira da calçada e sinto o vazio passando na rua, na minha nuca, nos meus pés descalços, completamente sujos pelos meus 10 anos de idade, com a dor do ferrão daquela abelha que me picou na escada da casa da vovó e que você curou com suas mãos de meu herói.
Aos 27 anos corro sem rumo numa reta até cair em seus braços exausta esperando seu colo e suas palmas por eu ter chegado ali. Termino no fim de uma rampa, sem fôlego e sem você!
Tentei ser seu menino, tentei ser sua princesa, tentei ser botafoguense, tentei ser a rebelde, tentei ser sua música, sua letra, sua melodia, tentei chamar sua atenção pintando o cabelo de azul, tentei ser a perdida na vida, tentei ser fotógrafa, tentei ser a atriz talentosa... e acabei sendo um pouco de tudo sendo apenas mil tentativas fracassadas de nada, enquanto eu só tentava ser seu orgulho.
Hoje é Natal, e aos 27 anos eu tentei ser a filha perfeita que não se incomoda com o desmazelo. Tentei respirar fundo (como sempre) e erguer a cabeça com um sorriso de quem é independente nesse mundo.
Sou dependente do seu amor e só você não percebe isso.
Desabei em lágrimas como a minha menina de 5 anos que, um dia, te implorou para nunca crescer!!! Ela não cresceu, pai!!!
Ela tem 27 anos, mas ainda é a sua criança.

(Lara Gay)