23 de abril de 2012
Mais um.
Lá estava a moça de pés descalços pagando seus pecados. Carregava uma garrafa de vodka em uma das mãos, um sorriso roubado no meio do rosto, e um pedaço de pão amassado caindo entre os dedos. Ouvia a trilha sonora da sua vida na sua mente que ainda mentia sobre histórias de amor e finais felizes. De bar em bar passava seus dias, de noite em noite calejava suas dores. Fugia de juras eternas e sempre engolia prazeres com nó na garganta. Fingia ser puta pra guardar sua dama. De tanto se dar se deu pra mais um que negando de cara seu corpo tatuado, despertou a menina da moça vadia escondida no rímel borrado. Não sentiu medo. Abrindo as portas sem abrir as pernas abriu caminhos para ser feliz. Dia após dia o mais um descobria mais um segredo da moça, e como quem veio pra cuidar, ele aceitava um passado condenado de bocas e vidas, de becos e vindas. A moça foi se sentindo amada mesmo sem compreender porque ganhara tanto amor do nada. Foi então, num impulso ingênuo, deixando o mais um a tomar por inteira sem dividir seu corpo com mais nenhum.
(Lara Gay)
21 de março de 2012
Sem saída.
Desesperadamente ela corre contra ela mesma procurando a saída daquilo tudo
A cada saída um beco sem saída sem ida e sem ela
De tanto fugir de si, esbarra nele...
De novo.
Como não cair naqueles olhos arregalados espantados de tanto vagar?
Como não deitar naqueles lábios mudos de tanto gritar?
Ele divaga no beco que é a vida dela
Usa e abusa de sentir o que já não é
Borra mais um pouco aquela maquiagem
Censura por mais umas horas uma vida vagabunda que tropeça o tempo todo
Nele
Ela implora a liberdade de se ser somente só
Entende que sua saída é nela mesma
Mas não a encontra
Dança sozinha tentando se acompanhar
Ele escreve engasgado de tanta mudez
Saem do beco, mas não saem de si...
Essas palavras que berram dos dedos dele só comprovam o desespero de tanta certeza confusa.
E ela ainda dança.
(Lara Gay)
A cada saída um beco sem saída sem ida e sem ela
De tanto fugir de si, esbarra nele...
De novo.
Como não cair naqueles olhos arregalados espantados de tanto vagar?
Como não deitar naqueles lábios mudos de tanto gritar?
Ele divaga no beco que é a vida dela
Usa e abusa de sentir o que já não é
Borra mais um pouco aquela maquiagem
Censura por mais umas horas uma vida vagabunda que tropeça o tempo todo
Nele
Ela implora a liberdade de se ser somente só
Entende que sua saída é nela mesma
Mas não a encontra
Dança sozinha tentando se acompanhar
Ele escreve engasgado de tanta mudez
Saem do beco, mas não saem de si...
Essas palavras que berram dos dedos dele só comprovam o desespero de tanta certeza confusa.
E ela ainda dança.
(Lara Gay)
7 de março de 2012
No seu tempo.
Quarta-feira.
Noite.
Me destruo ao som do rock.
Ou jazz?
Achando que sou outra, se não eu, a que nunca fui.
Querendo... ser.
Você.
Não a outra, como de costume.
Em algum lugar distante. Que não sei.
Que não sou.
Vou sendo de alguém que não sabe quem é.
Mas eu sei.
Entende sua confusão?
Foi assim o tempo todo.
Agora passou.
Passei?
O jazz saiu da minha vitrola.
Alguma coisa ficou.
Fiquei.
Fiquei?
Em algum lugar que já não sei.
Aonde você me guardou?
Por tanto tempo me guardei...
... pra você.
O tempo passou, e eu cansei.
Também quero passar...
(Lara Gay)
Noite.
Me destruo ao som do rock.
Ou jazz?
Achando que sou outra, se não eu, a que nunca fui.
Querendo... ser.
Você.
Não a outra, como de costume.
Em algum lugar distante. Que não sei.
Que não sou.
Vou sendo de alguém que não sabe quem é.
Mas eu sei.
Entende sua confusão?
Foi assim o tempo todo.
Agora passou.
Passei?
O jazz saiu da minha vitrola.
Alguma coisa ficou.
Fiquei.
Fiquei?
Em algum lugar que já não sei.
Aonde você me guardou?
Por tanto tempo me guardei...
... pra você.
O tempo passou, e eu cansei.
Também quero passar...
(Lara Gay)
15 de fevereiro de 2012
És tu, menina travessa
Julga-te, quem não te conhece, pela espontaneidade exagerada
Tu és isso, menina travessa, o que desperta o sorriso no canto da lágrima
Surges do avesso consertando erros sem saber
Sem noção de ser tão anjo vens tropeçando em tuas asas
Desengonçada, barulhenta e encantadora
Caída então aos meus pés, te recrio com mais defeitos
- O que te torna cada vez mais perfeita para mim -
Transformando-te em líder dos momentos que não vivi, vasculho coincidências pra comprovar tanta sintonia
Não encontro porquês!
Abandono tudo então.
E a insônia aumenta em meu sofá de risadas... tão tuas.
As ouço pra dormir em paz
Embalada em teu som meio rouco e agudo. Meio elétrico e choroso. Meio metade e completo.
Encontro-me em teu colo, em desespero, secando restos de carência no teu casaco preto.
Cuidou de mim. Fez-me amada. Sorri sem motivo.
Isso és tu, menina travessa, o que faltava na minha inconstância.
(Lara Gay)
Tu és isso, menina travessa, o que desperta o sorriso no canto da lágrima
Surges do avesso consertando erros sem saber
Sem noção de ser tão anjo vens tropeçando em tuas asas
Desengonçada, barulhenta e encantadora
Caída então aos meus pés, te recrio com mais defeitos
- O que te torna cada vez mais perfeita para mim -
Transformando-te em líder dos momentos que não vivi, vasculho coincidências pra comprovar tanta sintonia
Não encontro porquês!
Abandono tudo então.
E a insônia aumenta em meu sofá de risadas... tão tuas.
As ouço pra dormir em paz
Embalada em teu som meio rouco e agudo. Meio elétrico e choroso. Meio metade e completo.
Encontro-me em teu colo, em desespero, secando restos de carência no teu casaco preto.
Cuidou de mim. Fez-me amada. Sorri sem motivo.
Isso és tu, menina travessa, o que faltava na minha inconstância.
(Lara Gay)
25 de janeiro de 2012
...
Depois de você, não tenho pressa em amar. Me dar num canto qualquer.
Vestígios de mulher. Incompleta a minha forma de bar em bar. Passando no seu rosto em prantos. Roubando encantos. Pra pagar a alegria emprestada na próxima rodada.
(Lara Gay)
Vestígios de mulher. Incompleta a minha forma de bar em bar. Passando no seu rosto em prantos. Roubando encantos. Pra pagar a alegria emprestada na próxima rodada.
(Lara Gay)
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