29 de junho de 2010

O que falta


em que momento perdemos aquilo que ainda nascia?
fico quieta no canto no aguardo do meu “bom dia”
esperando em vão um manifesto de saudade
atualizando sua vida em busca de novidade

me rasgo de ciúme com seu novo sorriso
essa angústia engasgada é meu medo de me esquecer
aquela bronca e seu colo que eu ainda preciso
pedaço de mim, não sou mais eu sem você

(Lara Gay)

18 de junho de 2010

Em partes


me tira do vazio
preenche o meu nada com o silêncio do carinho
interrompe essa farsa de viver em mil sorrisos
é uma angústia inacabável
um aperto sufocante
respira o meu ar no amanhecer de um simples beijo
não quero ser mais essa menina sem destino
alguma coisa ausente que me mata frequentemente
são partes em partes espalhadas por toda parte
talvez faça parte de partir por inteira

(Lara Gay)

7 de junho de 2010

tinha que ser ... pra você

o detalhe das mãos dadas meladas de álcool na mesa do bar
a pausa do sorriso no momento exato do brilho do olhar
todo conforto de um abraço apertado que diz tudo em silêncio
aquela saudade diária que nos consome me fazendo gritar... seu nome
não se perca nunca dos meus passos, menina travessa
me leve contigo no constante delírio da sua madrugada sem destino
permita minha exagerada calma no meio do furacão de sentimentos
tinha que ser...
você !!
seus pés descalços e os sapatos jogados
a melodia berrada com seus braços pro alto
me desculpe a distância descabida das nossas vidas
minha alma é seu porto em cada amanhecer
aquietando minha fúria nesse canto do mundo
um instante em preto e branco pra eternizar o que se sabe
nós sabemos
o seu bom dia que alegra meu dia-a-dia
inspiração certa das minhas palavras transviadas
tinha que ser...
você !!
moça do riso fácil e do ombro amigo
eu te prometo
sempre estarei contigo

(Lara Gay)

feliz aniversário, belinha.
eu te amo.

31 de maio de 2010

Aconteceu você


É de repente mesmo, como dizem
O telefone não tocou
Aquela música também não
Não tiveram sinos ao longe
Muito menos câmera lenta
Nada de cartas
Nada de sonhos
Nada de nada
Quando percebi, ele já cuidava de mim
Nem sei dizer o motivo
Olhei pro lado e ele sorria
Nunca falou muito
Mas tava sempre ali
Segurando minha mão
Acalmando minha fúria
Enxugando minha lágrima
Me intrigou tanto aquela presença
Por quê tanto cuidado com uma fera sem destino?
Tentei algumas vezes, inconscientemente, fugir daqueles braços
Sempre tão independente
Nunca precisei repousar em portos seguros
Meu medo se encaixava na solidão da minha cama (de casal)
Jamais aceitaria um abrigo certo depois de tanto erro acumulado
E ele parado no mesmo lugar
Ali
Me olhando
Será que não se assustou com a intensidade dos rugidos?
Doente alma feminina repleta de sonhos
Incansável menino do olhar
Liberdade presa no peito de um estranho
Indecifrável calmaria numa contínua tempestade
De repente
Aconteceu você...
... e eu

(Lara Gay)

24 de maio de 2010

Ela e Ele


Nada mais havia entre eles
Ela precisou fechar aquela porta
Cheia de cicatrizes
Vazia de sentimentos
Não derramou uma lágrima sequer
Já estava seca de tanta dor
Segurou firme na mão de seu anjo
Sangrando em silêncio
Entendeu que não devia mais
Tinha se tornado escrava da sua própria vida
Crescente vício desde o início
Na abstinência de cada dia cinza
Ele continuava ali
Disfarçado de melodia
Vagando de canto em canto
Inquietando sorrisos em bocas estranhas
Já não mais se importava com a presença dela
Não passava de um passado presente incoerente
Guardava no fundo a dúvida de anos
Mas o ponto era final
Ela recolheu os seus versos espalhados
Apagou as tatuagens
Foi embora sorrindo
Engolindo o grito na garganta
Ele continuou sentado
No tumulto de ser o centro
Nem a viu partir
Não sentiu a sua ausência
Só ouviu alguma coisa
Um berro agudo no violão
Uma corda arrebentou

(Lara Gay)