1 de maio de 2011

No banco de um filme


Sabe o romantismo de parques no outono?

Então, nesses filmes os meus bancos são solitários

Tem sempre um espaço vago do meu lado esquerdo

Ninguém senta. Ninguém nem olha.

Alguns passantes até examinam ao longe

Outros arriscam uma encostadinha de leve

Às vezes um esbarrão pra ver a minha reação

Mas aquele que senta sem medo ainda não passou pelo parque

Aquele que quer ocupar o lugar e dividir o jornal ainda não entrou nesse filme

Procura-se um protagonista!!

Coadjuvantes que só se sentam para esperar o próximo ônibus não são bem vindos.

Os que só estão fazendo hora por não ter nada a fazer também podem passar bem longe daqui, tá?

Me contento com as folhas secas caindo ao meu lado enquanto isso

(elas são mais leais que certos pedestres)

Começou a chover.

Tão bom quando a água vem lavar o meu vazio

Afinal, é necessário limpar o rastro dos incertos para a chegada do determinado

Continuo sentada escrevendo minha história, lendo um bom livro, rindo de mim

Meu protagonista não vai falar nada.

Ele chega, senta, me olha, sorri e me tira dali.

Porque um banco de praça só é feliz quando o casal vai embora e só ficam os casacos.

(Lara Gay)


4 marcas azuis:

Raquel Consorte disse...

Nossa que lindo! Estou passando exatamente por isso... rs
Sucesso sempre Lara!

Samis disse...

que belo!

Le Savoldi disse...

sem palavras... belíssimo!

Mário Liz disse...

quando li este texto ... me senti como um folha seca de outono ... : vagando por vagar ... aquela coisa de seguir apenas porque o vento assopra ...; são versos leves... mas com um Quê de tristeza ...; e o grande barato da tua poesia é essa capacidade de deixar todos os sentimentos com essa coisa de flutuar ...

muito bom mesmo.

bjins